Movimentos fotográficos

Movimento naturalista – 1880 a 1920

A meio de século IXX, Inglaterra e os Estados Unidos estavam no auge da revolução industrial, que trouxe alterações profundas a nível social, económico e cultural. A industrialização levou muitos camponeses a trocar o campo pelas cidades, passando a trabalhar na indústria. A produção em massa levou a que os artesão experientes fossem substituídos por trabalhadores não qualificados. O contraste entre os mais ricos e os mais pobres era extremo. Estas alterações foram reflectidas em todas as áreas da cultura e da arte, desde a pintura até à literatura. O movimento naturalista foi então uma forma de voltar às raízes, à vida rural e ao contacto com a natureza. 1

Em 1989, Peter Henry Emerson lançou o livro “Naturalistic photography for students of the art” em que explica os princípios fundamentais deste movimento. Este caracteriza-se pela utilização de composições simples, invocando um sentido de equilibro entre o homem e a natureza e utilizando muitas vezes cenas comuns do dia-a-dia de uma forma artística. O livro entrava em contradição com a prática da altura em que eram utilizadas várias fotografias para criar a fotografia final. Este processo tinha sido desenvolvido por O. G. Reijlander e Henry Peach Robinson na década de 1850. Em alguns casos eram utilizadas mais de 20 fotografias para produzir uma única fotografia final. Esta técnica era especialmente útil devido às limitações tecnológicas da altura, pois tornava possível fotografar em condições de fraca luminosidade, assim como aumentar a gama dinâmica e imitar as pinturas da altura. Para Emerson, estas técnicas representavam uma falsidade. Ele defendia que a fotografia deveria ser considerada uma forma de arte por si só, não devendo tentar imitar outras formas. As suas fotografias eram capturadas de uma única vez e não eram retocadas, pois essa outra forma de manipulação com que Emerson não concordava. 2

Emerson era um admirador da J. F. Millet. Um dos pintores que lideraram a escola de Barbizon e que se dedicou a retratar cenas da vida rural. 3 Através de Millet, Emerson desenvolveu um especial interessa e simpatia pelos estilos de vida simples dos camponeses e pescadores. 4

Pinturas da escola de Barbizon.

Ao contrário dos fotógrafos de paisagem das décadas de 1850-1860, em que se optava por uma grande nitidez em toda a fotografia, Emerson defendia a focagem diferenciada em que o assunto da fotografia é focado com nitidez e os restantes elementos ficam desfocados. Esta técnica, segundo ele, permitia ao fotógrafo ilustrar a natureza de uma forma mais subjetiva. No entanto, apenas no seu livro de 1988 “Pictures of east anglian life” é que esta técnica se torna mais evidente na sua obra. 4

Os seguidores mais conhecidos deste movimento em Inglaterra foram Frank M. Sutcliffe, Lyddell Sawyer, George Davison, Col Joseph Gale, A. Horsley Hinton, J. B. B. Wellington e B. Gay Wilkinson. Nos Estados Unidos era mais usual captarem paisagens naturais mas também se interessaram por fazendas, pela vida rural, bem como pelos artesãos e métodos de produção antigos. Alguns dos pintores e fotógrafos naturalistas dos Estados Unidos foram A. W. Dow, W. J. Mullins e W. B. Post.

Alguns exemplos de fotografias do movimento naturalista.


  1. Naturalist Photography From 1880-1920, Lee gallery. Acedido em 15 de Julho de 2015. 
  2. Peter Henry Emerson, Wikipédia. Acedido em 16 de Julho de 2015. 
  3. Barbizon school, Wikipédia. Acedido em 15 de Julho de 2015. 
  4. Helmut Gernsheim, Creative Photography: Aesthetic Trends, 1839-1960. ISBN 0486267504 

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