Grandes fotógrafos

Tony Vaccaro

Tony Vaccaro nasceu a 20 de Dezembro de 1922 no estado da Pensilvânia, Estados Unidos. Ficou conhecido pelas suas fotografias durante a Segunda Guerra Mundial.

Tony Vaccaro por Leannestaples [CC0], via Wikimedia Commons

Como soldado dos Estados Unidos, Vaccaro desembarcou na Normandia uma semana após o dia D, armado com uma espingarda M-1 e uma máquina fotográfica Argus C-3. Uma máquina bastante modesta que tinha comprado pouco antes de ser chamado para o exército, mas que segundo Vaccaro tinha a vantagem de ser praticamente indestrutível.1 Vaccaro documentou toda a viagem do seu batalhão desde o desembarque até à chegada a Berlim. Após o fim da guerra, foi contratado pelas autoridades dos Estado Unidos e pelo jornal Stars and Stripes para registar o pós-guerra e a reconstrução da Alemanha2. Este trabalho ficou registado no seu livro Entering Germany: 1944-1949.

Por várias vezes chegou a revelar os seus negativos com químicos recuperados de lojas de fotografia e farmácias em ruínas, usando capacetes como recipientes. Dessa maneira conseguiu enviar alguns dos seus trabalhos para a sua irmã, nos Estados Unidos. Infelizmente, a remessa que continha todo o seu trabalho desenvolvido na Normandia foi confiscada pela censura militar e as fotografias nunca foram devolvidas1.

Uma das suas fotografias mais conhecidas, com o título “White Death Requiem for a dead soldier“, mostra o soldado Tannenbaum que foi morto na batalha de Bihain, na Bélgica, em 12 de Janeiro de 1945. Com esta fotografia, Vaccaro quis capturar “a beleza da morte” e prestar homenagem a todos os soldados mortos durante o conflito.

Tony Vaccaro – White Death Requiem For A Dead Soldier, Bihain, Belgica, 12 Janeiro 1945

Cinquenta anos mais tarde, recebeu uma chamada perguntando se era ele o autor desta fotografia. Quem estava do outro lado da linha era nem mais, nem menos, o filho do soldado Tannenbaum, que pediu a Vaccaro que o levasse ao local onde o seu pai tinha sido morto. Vaccaro acedeu, mas quando chegaram ao local, encontraram um pinhal, em vez de um campo aberto como a altura em que se deu a batalha. Sem conseguir localizar o local exacto onde Tannenbaum tinha dado o seu último suspiro, Vaccaro procurou o proprietário do terreno para que o ajudasse na localização. Durante a conversa perguntou-lhe:
— Como é possível isto se ter transformado numa floresta?
O proprietário respondeu:
— Isto não é uma floresta! Isto é uma plantação de pinheiros que são vendidos no inverno como árvores de natal para Portugal e Espanha.
Ironia do destino, tannenbaum em alemão significa árvore de natal.3

Segundo Tony Vaccaro, um bom fotógrafo deve saber anteciar-se ao momento. Premir o botão antes do acontecimento, caso contrário será demasiado tarde e o momento perder-se-á. Durante a apresentação do seu livro “Across the Elbe River with the Thunderbolt Division“, enquanto mostrava uma das suas fotografias, Vacarro disse “With photography you can do incredible things. Just let your brain wonder, and become a child.” O que em português quer dizer qualquer coisa como: “Podemos fazer coisas incíveis em fotografia. Basta dar largas à imaginação e tornarmo-nos crianças.”.4

Após a guerra, Vacarro começou a trabalhar como fotógrafo para várias revistas de moda e registou retratos de vários ilustres do século XIX. Um desses ilustres foi o pintor Pablo Picasso, que o chamou após duas sessões com Henri Cartier-Bresson, uma vez que o próprio Cartier-Bresson – considerado por muitos o melhor fotógrafo de sempre – não tinha ficado satisfeito com os resultados.

Tony Vaccaro – Retrato de Pablo Picasso, 1968

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