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Troca de emails na FEUP sobre a Lei anti-tabaco

cigar.pngSou completamente de acordo com a nova lei anti-tabaco. Penso que os não fumadores devem ser protegidos do fumo e eu próprio odeio ir a um bar ou discoteca e sair de lá defumado.

Esta nova lei levou a uma troca de emails na comunidade da FEUP que vale a pena ser lida. Desde 2005 que não é permitido fumar nas instalações da faculdade, o que apenas era permitido num dos três bares existentes. A troca de emails começou quando os serviços enviaram um email a alertar que desde o dia 1 não é permitido fumar nem mesmo nesse bar. Seguiu-se a resposta de dois alunos que se manifestaram contra o tabaco, mas um deles pelo seu discurso extremista e falta de inteligência chamou-me a atenção:

Caro Aluno A.

Era só parar lhe comunicar que acho que tem toda a razão. As legislação actual é suave. Nuvens cancerígenas é algo que que não existe no nosso mundo, à excepção das de tabaco. Por isto, temos que fazer tudo o que for possível para banir os fumadores do mundo habitável. Se um docente julga que pode fumar na privacidade do seu gabinete, no ar que só ele respira, está muito, mas muito enganado. Acredite que tem a minha simpatia, dá para imaginar as quantidades industriais de fumo que entram pelas janelas em redor. Imagino até o fedor que se sente por toda a faculdade, quando o maldito docente acende o seu cigarro no tal gabinete pecaminoso.
O mesmo se aplica aos fumadores, que num respeito hipócrita aos não-fumadores e à legislação, expiram para as escadas, se concentram à porta, enfim, fazem os possíveis para nos incomodar, e a longo prazo nos matar com as suas terríveis nuvens cancerígenas. Manifesto por isto o meu apoio pela possibilidade de obrigar os fumadores irem para um quilómetro de distância de qualquer não-fumador, de cada vez que for fumar um dos seus 5/10/20 cigarros por dia. Não basta terem de ir para o exterior, convém que se escondam atrás dos edifícios, longe da nossa vista, e dos nossos sensíveis narizes.

Afinal, não são pessoas. São tolos que voluntariamente se matam, são praticamente drogados, marginais. É gente que não merece ter nem terá qualquer liberdade, da nossa parte. Pois, claro, temos o poder e o direito de defender os pulmões. Nenhuma medida será para mim exagerada, nem suficiente.

A luta continuará. Sempre.

Atenciosamente.
Aluno B

Estava a pensar em algo para lhe responder, mas alguém foi mais rápido do que eu e escreveu:

Caro Aluno B

Gostaria de expressar o meu total apoio à opinião expressada por si no email enviado anteriormente. Iria ainda mais longe na minha luta contra o tabaco, uma droga que ameaça destronar outras como a cocaina ou a heroina. O tráfico de tabaco é um dos maiores problemas da nossa sociedade!Existe aliás um grande traficante na nossa faculdade, mascarado sob a forma de uma papelaria!
Assim, é de minha opinião que deveria ser criada uma zona para fumadores na feup. Sugeria que criassem um espaço vedado, onde todos os fumadores iriam para praticar o seu pecado, não podendo de lá sair enquanto não fossem desinfectados de cima a baixo. Funcionaria como uma espécie de quarentena numa sala de chuto.No topo, seria instalada uma chaminé com absorção de particulas, para que o imenso fumo não poluisse o nosso estimado planeta.
Nas zonas circundantes, seriam distribuidos packs de air-wick, para todos aqueles que, incomodados com o insuportável odor, se sentissem na liberdade de expressar a sua raiva desmedida em cima daqueles parasitas da sociedade.
Propunha também a criação de um departamento novo na FEUP: Departamento Anti-Tabaco. O DAT seria composto por elementos das Forças Especiais, que devidamente treinados, conseguiriam tirar o cigarro da boca de qualquer drogado em zona de não fumadores, a qualquer distância. Propunha o topo da biblioteca como local ideal para a sua colocação já que permite uma boa visiblidade de toda a faculdade e a mira da sniper não precisaria de ser muito apurada já que menos uns “drogados” no nosso planeta não faziam falta nenhuma!
Deste modo, a FEUP seria um exemplo para todo o MUNDO!

Sem mais de momento, deixo-o apenas com um gigantesco LOOOOOOOOOOOOOOL

Apoiado! :)

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15 Comentários

  1. Simão
    Publicado 10 de Janeiro de 2008 às 23:32 | Link

    Só para dizer que tenho em crer que o aluno A estava a ser irónico, pelo que conheço dele… E não, não sou eu…:P

  2. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 00:19 | Link

    Não citei o Aluno A… apenas de B e o C. :)

  3. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 00:50 | Link

    LOL Lindo!

  4. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 01:32 | Link

    “Afinal, não são pessoas. São tolos que voluntariamente se matam, são praticamente drogados, marginais. É gente que não merece ter nem terá qualquer liberdade, da nossa parte. Pois, claro, temos o poder e o direito de defender os pulmões. Nenhuma medida será para mim exagerada, nem suficiente.”

    Sinceramente, nem sei o que dizer de uma enormidade destas.

    Porém, “C” respondeu-lhe bem. Talvez demasiadamente inteligente para o “B”… :)

    @braço

  5. Simão
    Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 11:46 | Link

    Ups… you’re right… Não subi para verificar, mas em termos lógicos na ausência de A o B tomaria o seu lugar (ou não… mas…):P eu estava a falar de B.

  6. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 11:55 | Link

    De qualquer das maneiras o assunto ainda não morreu e não tenho parado de me rir com os emails que se têm trocado.

  7. Brito
    Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 12:56 | Link

    O primeiro “discurso extremista e de falta de inteligência” é a melhor crítica satírica que vi, e vem em resposta ao mail de um fanático que exigia “fiscalização”.

    “Nuvens cancerígenas é algo que que não existe no nosso mundo, à excepção das de tabaco.”

    Parece-me mais que evidente.

    Relativamente ao segundo fica a dúvida, apesar de seguir o mesmo tom, embora com menor qualidade, alguma “grunhice” do tipo deixa-me a pensar que talvez o tipo tenha escrito o mail com outra intenção.

    De facto, o que parece evidente é a lacuna cultural de muitos alunos da feup, que não conseguem identificar uma manifestação de sarcasmo que percorre todo o mail de A, e espalham-se em respostas escusadas.

    E segundo as palavras do autor deste blog, parece que o mesmo também se lhe aplica.

  8. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 13:13 | Link

    Brito:

    Podia ter rejeitado o teu comentário, mas resolvi não o fazer.
    Se para ti a capacidade de identificar sarcasmos é igual a cultura, a tua definição de cultura é diferente da minha. Talvez até tenhas razão mas não foi essa a minha interpretação quando escrevi este artigo.
    De qualquer das maneiras, transcrevi os emails porque lhes acho piada mas não lhes dou a mínima importância até porque tenho mais que fazer!

    Abraço,
    Américo

  9. Brito
    Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 13:42 | Link

    Américo, escusa-te a paternelismos referentes à possibilidade de rejeitares o meu comentário.

    Limito-me a fazer uma constatação evidente: a lacuna cultural, ou em termos mais coloquiais, a ignorância, que grassa pela feup é real.

    Não conseguir reconhecer alguns dos mais elementares recursos estílisticos, como o sarcasmo ou a ironia, revela um domínio curto e inconsequente da língua nativa.

    Lamento, mas por enquanto as artes linguísticas ainda são cultura.

    E a beleza do sarcasmo no fundo leva a que todos fiquem satisfeitos: os que compreendem a elevação do mesmo, partilhando a mensagem de fundo; e aqueles que acreditam piamente no que é dito, e constituem o regojizo dos primeiros.

  10. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 15:50 | Link

    Será que querias dizer paternalismos?
    Na comunidade da FEUP, como em todas as comunidades, existem vários tipos de pessoas. Algumas mais cultas, outras menos. No entanto, a inteligência e a cultura nem sempre andam de mãos dadas e julgo que os alunos e docentes da FEUP têm uma inteligência acima da média. Já a nível de cultura, até estou de acordo contigo. Mas já agora conheces alguém que seja perfeito? Eu não…
    Gostaria de ser inteligente e ao mesmo tempo culto. No entanto se tiver que escolher, escolherei sempre a inteligência! Pois alguém inteligente pode tornar-se culto mas aqueles que se fazem passar por cultos, jamais serão inteligentes.
    E como sou pouco culto aqui fica uma frase feita:

    “Estou convencido das minhas próprias limitações e esta convicção é a minha força.”
    (Mahatma Gandhi)

  11. Brito
    Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 17:18 | Link

    “Gostaria de ser inteligente e ao mesmo tempo culto. No entanto se tiver que escolher, escolherei sempre a inteligência!”

    Caro Américo, a inteligência é algo que não escolhe. Cada qual de nós exibe um dado potencial, que poderá aproveitado ou não.

    O mesmo se aplica à cultura. A cultura no sentido lato é sempre manifestação de inteligência. Agora os campos onde decides aplicar o potencial em inteligência já é outra estória.

    “Pois alguém inteligente pode tornar-se culto mas aqueles que se fazem passar por cultos, jamais serão inteligentes.”

    Bonita frase feita, mas mesmo aqueles que “se fazem passar” exibem inteligência, neste caso sobre a forma de “chico-espertice”.

    E já agora, como um “não-culto” descobre a careca a um “culto”? Será por semelhança?

  12. Brito
    Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 17:20 | Link

    Antes que voltes a corrigir alguma “incultice” reescrevo a última frase.

    E já agora, como é que um “não-culto” descobre a careca a um “culto”? Será por semelhança?

  13. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 17:56 | Link

    Acredites ou não… estou sem tempo para continuar a conversa contigo. Talvez noutro dia.

  14. Publicado 11 de Janeiro de 2008 às 18:34 | Link

    OK..agora alguem tem que fazer o mesmo na Universidade de Aveiro =D
    Já tou farto que se agrupem na entrada do Dep de Electronica e Telecomunicacoes..já é complicado passar entre eles, então ainda a aspirar a nuvem cancerigena deles..=S

  15. p
    Publicado 12 de Janeiro de 2008 às 12:12 | Link

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